sábado, 26 de dezembro de 2009

Crónica: Queira Deus Que Não Me Empurrem

Durante a minha infância, quando os meus pais me perguntavam inutilmente se um dia gostaria de vir a ser Papa, respondia constantemente que nunca poderia enveredar pelo caminho da religião quando a minha verdadeira apetência era ser boxista. Não exactamente por estas palavras, já que a minha riqueza vocabular não o permitia, mas lembro-me ainda de completar a ideia esbracejando e socando a atmosfera, querendo facilitar a compreensão da família. Definitivamente rejeitava o título de Papa e teria todo o gosto em ser campeão mundial de pesos pesados. Hoje, porém, compreendo que são a mesma coisa. E sinto-me, uma vez mais, na obrigação de escutar a opinião dos mais velhos.

Confesso, envergonhado, que não sigo diariamente os eventos que decorrem no Vaticano, nem sei de cor as datas das visitas ao estrangeiro que Bento XVI tem planeadas. Estou ciente de que peco por isso e, num último esforço de me redimir perante o Senhor, liguei a televisão no dia de Natal em busca de uma luz. Segui o meu instinto, que me levou até ao Canal Panda, SIC Mulher e RTP África. Em nenhuma delas vislumbrei o que pretendia, e lembrei-me da falta que fazem as câmaras do Big Brother na basílica do Vaticano. Contudo, no dia seguinte a informação finalmente veio até mim e preencheu o meu interior com uma história nova de cristãos, possivelmente capaz de ser contada à volta de uma fogueira.

Fiquei a saber que, minutos antes da celebração da tradicional missa do Galo, uma senhora empurrou Ratzinger em pleno corredor central da basílica, enquanto este se dirigia ao altar. Por certo a opinião de noventa por cento da população mundial (os outros dez por cento desconhecem o facto) ficou a pensar que esta é mais uma cena normal de pancadaria a que nos habituou o Vaticano nos últimos anos, mas desengane-se quem pensa assim, porque desta vez há algo potencialmente interessante: é uma maluca repetente quem protagoniza o escândalo. Este enredo, se formos a ver, tem tudo para ser um sucesso na capa das revistas e como primeira notícia dos telejornais, apesar do habitual mau da fita. Baseia-se numa doente mental que falha o seu objectivo uma vez, e passa um longo e duro ano a treinar os seus atributos físicos, mentais (que bem precisa) e talvez mágicos para que, quando uma nova oportunidade surgir, ela a consiga aproveitar. O vilão, mais uma vez: o papa. Um cliché típico nas histórias do Vaticano, e não é justo que ninguém se lembre de saltar as barreiras de segurança, furar entre dois guardas e empurrar o presidente da comissão de cardeais. Não, não vemos isso, e já era altura de inovar um pouco.

Sem dúvida que estamos perante uma geração de gente forte e corajosa, para o bem e para o mal. No entanto, esta é uma situação que pode gerar vários mal-entendidos na opinião pública. Aparentemente, é de louvar a coragem da mulher que “atropelou” o Papa, ainda para mais tendo problemas psíquicos. Eu, por outro lado, arrisco e digo que são os seus problemas mentais que lhe conferem características especiais para além da insanidade, como a bravura e a ousadia. Não exactamente por estas palavras, já que a minha riqueza vocabular não evoluiu, mas sustento a ideia ao pular para cima do sofá e ao impelir a atmosfera freneticamente, para desgraça dos átomos que estiverem nas redondezas. Em suma, trata-se de uma potencial mulher com sucesso na armada militar americana, que optou por ter como hobby uma actividade muito particular: dar encontrões ao Papa.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Desejo um Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos os visitantes !!!
Que estes sejam dias de grande felicidade , e que possamos entrar com o pé esquerdo, já que depois de tantos anos a entrar com o direito e a não ver todos os nossos desejos realizados, possa ser desta que o melhor acontece.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Crónica: Natal Sangrento

A vida é feita de coisas boas, como a Sport TV e as bolachas “Maria”, se bem que eu prefira até as de “água e sal”. Há outras coisas também: o desporto proporciona a vitória e a recompensa, os livros atribuem o conhecimento, e o cinema então é uma constante cascata de sucessos. Há muito tempo que escuto pessoas a dizerem que a vida é feita de êxitos. Nunca associei isso a algo específico, mas penso agora que se referem quase inteiramente à vertente da sétima arte.

Anda em exibição há uns tempos o segundo filme da saga “Crepúsculo”, que se tornou em poucos dias o mais visto em Portugal. Trata-se, portanto, de um sucesso. Um sucesso que eu nunca vi nem pretendo assistir num futuro próximo. Talvez por o achar um filme que agrada especialmente ao público feminino, pretendo manter-me afastado da massa que grita e gesticula esbaforidamente ao som do nome do actor principal. Mas é de relembrar que antes dele outra película esteve no topo nacional, e antes dessa outra, e outra, e outra ainda. Poucos são os fracassos, se formos a interpretar, porque mesmo um filme que cria expectativas enormes aquando da sua produção e que depois se torna uma tremenda desilusão, obteve algo inegável e que significa a conquista de um dos principais objectivos inerentes à sua criação: o lucro das bilheteiras. Um mau filme que gera milhões trata-se mesmo de um mau filme? Talvez só a carteira o poderá dizer…

É curioso que na época de Natal se ouça falar mais de vampiros do que do Pai Natal. “Lua Nova”, conquistou um lugar não só na memória de quem o anda a visionar, como também na chaminé de sua casa, pois parece não haver já espaço para o barbudo. A sociedade reflecte estas mudanças, e estou profundamente amedrontado ao imaginar que no futuro poderei ter um filho que encosta a boca ao meu ouvido e sussurra: “pai, vou pedir um baralho de cartas ao Pai Drácula.” A continuar nesta veia gótica, a pouco e pouco o Carnaval em nada irá perder para o Dia das Bruxas, que igualmente se sustenta nestas ideais fantasiosos e de dentes afiados. A decoração típica da próxima geração ainda se sustentará à base de morcegos colados no tecto dos quartos. De facto, um cenário que me tira o sono por breves momentos. E que eu tento contrariar colocando na mesa-de-cabeceira um boneco da Hello Kitty.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Férias a Solo

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Crónica: "Bin, o Mestre das Escondidas"

Mais uma bomba cai de rajada nos EUA. Desta vez os visados foram as forças norte-americanas que, na sua incompetência, permitiram a fuga do cidadão banal Osama Bin Laden. O ídolo infantil enfrenta um grande dilema: toda a gente sabe onde está, mas ninguém sabe como ele é. Assim deixamos de estar perante um caso de fuga, para passarmos talvez a encarar tudo como um baile de máscaras. Digamos que é um género de Halloween, em que o verdadeiro mauzão se esconde por detrás de uma cabeça de abóbora.

O terrorista, ou como preferimos chamar, o super-herói dos vilões, é já recordista do Guiness ao vencer o Campeonato Mundial das Escondidas por 8 longos anos consecutivos. Contudo, imaginamos a sua tristeza e frustração na medida em que, por ninguém conhecer a sua aparência (já que todos sabem onde ele está), não há modo de lhe entregarem qualquer tipo de prémio, lembrança, ou de o convocarem para uma celebração emblemática.

Se bem nos lembramos, tudo começou em 2001, no famoso “nine/eleven”, ou 11 de Setembro, quando dois aviões atingiram as duas torres, mais conhecidas por “World Trade Center”. Bin Laden foi o manda-chuva que planeou o atentado. Ao que apurámos, o afegão havia sido encurralado numa montanha em Tora Bora. No entanto, os EUA, perante 1000 homens da Al-Qaeda, apenas enviaram poucas unidades armadas. Como tal, o resultado foi a fuga do barbudo para paradeiro incerto. É o que dá armarem-se em corajosos, já que no final acabam armados em meros medricas.

Provavelmente a caça ao homem ainda continua, que é como quem diz: prossegue o campeonato das escondidas. O favorito é o campeoníssimo Osama, sendo que a percentagem de vitória é praticamente total. Faria de todo uma aposta segura no Totobola desta semana. Descobrimos que, assim como em casa assistem a séries como “Prison Break”, ao vivo podem, por enquanto, seguir esta trama que promete não acabar tão cedo quanto isso. Não percam o próximo episódio, porque nós vamos perdê-lo e precisamos que nos contem o resto da história.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Crónica: A Crise é a Nossa Bênção

Portugal está em crise, e continua ainda mais à medida que os amigos prosseguem a leitura da crónica. A situação actual disparou para níveis elevados de desemprego, défice, corrupção, já para não falar da quantidade incrível de ministros estúpidos, (se bem quer por vezes apareça um ou outro com queda para o toureio). Todo este cenário obscuro de palavras com significado social e politicamente negativo leva a pensar que estamos mergulhados num poço sem fundo, onde nem a mais pura migalha de pão parece livre de conotação maligna.

No entanto, nem tudo é verdade. Há crises que vêm por bem, e acreditamos que a financeira e a política, por serem provavelmente o pequeno-almoço e o jantar favorito dos jornalistas, fazem falta à criação da chamada arte noticiosa. Utilizando uma escala baseada na relação notícia-repórter verificamos que uma “bicha” de trânsito ou uma troca de palavras feias entre gangs do Rossio não chega para abater essa sede de “fome”. Aliás, estamos mesmo em crer que a queda de um meteorito em plena Marginal, e à luz do dia, continuaria por deixar um buraco no estômago de grandes jornalistas, como Manuela Moura Guedes. Um assunto deste nível por certo a faria abrir a boca para bocejar de tédio. E todos sabemos que quatro em cada três pessoas da população mundial temem isso. Depois de tantas campanhas para a reabilitação do planeta, seria de todo inútil que, de uma vez só, tanto trabalho fosse deitado por terra e acabássemos enfiados na valente goela da periodista.

Por isso estamos em crer que os grandes escândalos e processos mediáticos são como bênçãos que Deus nos concede para que possamos continuar a ver TV e a ler o jornal no futuro. É dito que a Virgem Maria apareceu aos pastorinhos em 1917, mas a verdadeira divindade, queiramos quer não, desceu à Terra apenas em Maio de 1997, com o caso “Cova da Beira”. Desde então, digamos que foi tiro e queda: caíram novas sequelas, como o processo “Casa Pia”, o “Apito Dourado”, o “Freeport” e, mais recentemente, o “Face Oculta”. Uma ementa de sonho para deliciar a nossa programação lá de casa e talvez só não ultrapasse a coscuvilhice dos jornalistas… por causa do sorriso da Manuela Moura Guedes.

Crónica: Sprint Final Até ao (Des)emprego

Portugal continua próspero. Mais despedimentos, mais donas de casa “desesperadas”, mais tostões que se gastam a ver as “Tardes da Júlia”, e tudo isso numa escala de incrível ascendência. A grande aderência ao (des)emprego confirma-se como a principal novidade nesta época pós-eleitoral. O povo português, de forma astuta e perspicaz, prefere ficar em casa no bem bom ao invés de dar o corpo ao manifesto e ter um emprego decente. Em troca, são de igual modo remunerados e ainda conseguem dar trabalho às senhoras da Segurança Social. Como podem reparar, até mesmo a perspectiva de vida portuguesa continua a subir de produção.

Na última década ocorreu a duplicação do número de gente sem trabalho, o que nos leva a pensar que “Zé” Sócrates tem especial tendência para as contas de multiplicar. Os portugueses podem estar felizes com a instrução do seu Primeiro-Ministro, já que a aritmética a Independente atribuiu-lhe a nota máxima. No entanto, não só de desemprego vivem os ministros, já que ainda conseguem a proeza de aumentar outras coisas, como o défice, os impostos e a contestação dos cidadãos. Incansáveis, portanto. No meio disto, nem só Sócrates recebe o protagonismo, já que o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ao querer igualar o seu superior, conseguiu construir ao longo destes anos um currículo que o leva a ser hoje considerado o quarto pior ministro das finanças de sempre em Portugal. Compreendemos que isto o deixe frustrado, já que depois de tanto esforço, não consegue alcançar as medalhas.

O que é certo é que estamos todos preocupados com o desemprego. Enquanto a população teme ficar sem o seu posto, por outro lado, os políticos da Assembleia preocupam-se em causar um cada vez maior número de desempregados. Contudo, até mesmo a Assembleia pode vir a sofrer com esta moda, já que até os próprios deputados ponderam enviar o seu currículo para o fundo de desemprego. Oxalá cumpram os requisitos mínimos. Caso contrário, ainda resta uma opção: emigrar!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Crónica: "Galera, Onde Para a Luz?"

Num dia, ou melhor, numa noite diferente, o povo brasileiro teve o privilégio de participar no grande evento: “APAGÃO 2009”. Depois de confirmada a realização dos Jogos Olímpicos em 2016 e do Mundial de 2014 no país, eis que, do nada, os nossos compadres se vêm no meio de uma grande efeméride. Talvez impacientes pela longa espera até meados da próxima década, não se contiveram enquanto não proporcionaram a si mesmos um festejo imediato.

O que se passou foi que, na madrugada do dia 11 de Novembro, 10 Estados ficaram às cegas, numa altura em que apenas puderam contar com a luz do luar. É de todo caso para dizer que a sorte bateu à porta casas de 50 milhões de habitantes, até porque as campainhas não funcionavam sem energia eléctrica. Tudo se tornou bem melhor nas poucas horas em que o momento durou: interromperam-se papinhas de hambúrgueres, que sobreviveram por mais algum tempo, cessaram-se conflitos entre marido e mulher, que adiarão eventualmente a separação para um ou dois dias depois. No entanto, pode mesmo haver problemas que mancham o cenário paradisíaco que surgiu, já que é provável que o número de crianças sem pai aumente exponencialmente daqui a 9 meses.

Até aqui desfavorecidos, os astronautas tiveram finalmente a oportunidade de desfrutar de um espectáculo só deles. O eclipse da América do Sul. Poderão pensar que no Brasil as pessoas são demasiado egocêntricas e gananciosas, mas este gesto comprova precisamente o contrário. Chega inclusive a comover o mais rancoroso dos deuses. É das poucas alturas em chegamos a blasfemar a maldita ciência, que inventou a lâmpada em detrimento do uso eterno da simples e bonita vela.

País de inovação e progresso (pelos vistos), o Brasil não se rebaixa aos Estados Unidos e, também ele, gostou de marcar algo especial para o dia 11 de um mês ao acaso. Se outrora havia sido Setembro o escolhido, desta vez calhou em Novembro. Para a próxima, logo veremos, se houver luz que o permita.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Internet: Where Are You?


Devido ao óptimo serviço prestado pela Meo na última semana, estou temporariamente (espero eu) sem Internet. Garantiram-me que ontem o problema estaria resolvido, e hoje garanto-vos eu: não está. Quando a conseguir reaver (daqui a 1, 2 dias) terão não uma, mas todas as crónicas em falta postadas seguidamente. Tudo para aqueles que parvamente se habituaram a ler estas frases sem jeito. As minhas desculpas.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Crónica: "O Meu Dinheiro Pelo Teu Lixo, Por Favor"

À primeira vista, um sucateiro pouco tem a ver com um político. Enquanto o primeiro gere o monopólio do ferro-velho, o segundo dorme a sesta na Assembleia. No entanto, nem tudo o que parece é, e quando pensamos que já nada nos surpreende, eis que surge uma nova personagem, desta vez com bigode, e baptizada de “Zé” Godinho.

O homem do lixo, cabecilha de uma rede tentacular que envolve as maiores empresas do país, cansou-se dos míseros tostões (de lata) que auferia, e mudou de táctica, optando pelo nobre e louvável caminho da corrupção. Muitos acham a sujeira uma matéria desprezável e malcheirosa, mas o nosso conterrâneo nutre afecto por ela, e consegue transformá-la na sua fonte de riqueza. O que é de todo bem pensado, visto que imundície é coisa que não falta cá em Portugal. Palmas para o senhor Godinho!

Não contente com um ou dois desvios e meia dúzia de vendas de cobre escondido, acumulou nada mais, nada menos do que 37 crimes. Trata-se, portanto, do típico caso do homem com um grande vício: o da trafulhice. Seria preferível que fumasse? Talvez, mas dessa maneira estaria a gastar dinheiro numa máquina de cigarros que nunca lhe daria o retorno financeiro de que tanto gosta. E não poderia prejudicar os outros, lembrem-se. São dois factores essenciais para a vida de “Zé” Godinho, e para os quais ele deve rezar antes e após as refeições.

Ao que se apurou, o “pulha” tinha uma hierarquia de subordinados a quem oferecia bens materiais para que os seus crimes permanecessem no segredo divino. Como tal, aos mais inteligentes (e importantes, talvez) oferecia carros de alta cilindrada; a outros, não tão condignos (e com uma ligeira diminuição de QI), brindava apenas com quantias de dinheiro; por último, aos mais lorpas, entregava sacos de cimento. Sim, leram bem, Godinho subornava gente com sacos de argamassa e essas pessoas, mais do que satisfeitas, iam provavelmente acabar as marquises lá de casa, quais trolhas de fato e gravata. Quem não deve achar piada de todo são por certo os ambientalistas, que temem perder a luta a favor da reciclagem com o lixo cada vez mais a dar que facturar.